domingo, 8 de agosto de 2010

Relato do parto

Tenho uma lista de posts que não podem faltar aqui, mas acabo vindo e escrevendo sobre as novidades e deixando o tempo passar. Em parte pq não quero escrever rapidamente, só por escrever, só pq tenho que escrever... Quero contar sim, mas com o coração.
Vou tentar!
O parto estava previsto para o dia 05/12/2009 (antes que se inicie um debate entre PC E PN - não eu não poderia ter PN por causa de uma operação feita antes, e sinceramente - pode dar unfollow - mesmo se pudesse...). Era dia de consulta e até então, tudo estava normal, e eu continuava trabalhando - bem como eu quis, trabalhar até não poder mais. Quando a Dra fez o toque me olhou seriamente (vale dizer que a obstetra acompanha nossa família por anos e a mim desde a 1ª consulta a ginecologista - sim, é a médica da família) coisa que nunca havia acontecido durante todo esse tempo e me disse: "-Vamos adiantar em uma semana dentro do que estava previsto e a senhorita vai parar com o trabalho, você não precisa ir nesse ritmo, conversa com o seu pai.". Logo fiz aquela carinha de quem vai reclamar quando ela emendou: "-Eu to falando sério, você pode continuar mas eu to avisando que não vai ser nada agradável entrar em trabalho de parto no meio da rua podendo evitar isso, vamos tentar manter ele aí por mais uma semana, mas ele pode nascer a qualquer momento." Então tá!
Saí de lá num misto de alegria - Oba, reta final mesmo! Vou conhecer meu bb! - e preocupação - Tô realmente preparada? E o que vou fazer todo esse tempo em casa esperando? Oh Deus! Agora mesmo é que vai demorar uma eternidade.
Como recomendado fiquei em casa nos preparativos - revisando a mala da maternidade por mil vezes para ter certeza de que nada foi esquecido. Lembrancinhas ok? Caderninho de visita? E a minha mala? Documentos? Máquinas de fotografar e filmar?
Então chegou o grande dia (Enzo esperou bem comportadinho!) e pela primeira vez na vida eu não resmunguei por ter que acordar cedo. Desde 5 da manhã meu celular borbulhava em msgs e ligações desejando-nos uma boa hora. Chegamos na Perinatal Barra e eu subi com a minha mãe para o quarto (como era muito cedo e não era horário de visita ainda, apenas ela poderia subir, os familiares esperavam na recepção). Logo em seguida chegaram meu pai e minha irmã, e minha mãe desceu para que minha irmã pudesse subir. Ficamos ali conversando e tentando mostrar que não estávamos nervosas, até que a Dra Vitória chegou. Disse que toda a equipe médica já estava esperando por ela e nos encontraríamos de novo na sala de cirurgia. Caramba! Estava mesmo chegando a hora.
Lá estava eu, vestida com aquela camisola sexy de "bundinha de fora" e curtindo os últimos minutos com minha barrigona. E momentos depois estava na maca sendo levada para o centro cirúrgico. Fui forçada a manter um sorriso no rosto pq percebi que meu pai - que ia acompanhar o parto - estava mais nervoso do que eu!
Mas foi mais forte: quando de fato cheguei na sala de parto, a minha vontade era segurar a barriga como quem segura um pacote pesado demais e sair correndo dali. Eu não estava preparada! E achei que só passaria por tudo aquilo dentro de uma camisa de força.
Acho que instintivamente já começava ali essa coisa de mãe, de segurar o medo e enfrentar com coragem o que você nem sabe ao certo o que é, afinal, você é exemplo pra alguém. E deve ter sido isso que me manteve imóvel (antes da anestesia).
Tudo começou. Sons de instrumentais sendo organizados. Conversas paralelas da equipe (conversando sobre trânsito, tempo... coisas rotineiras... enquanto eu tava prestes a ser aberta!!! Que sensação estranha.). E então, Celso - o anestesista - se aproximou pedindo para que eu me dobrasse de uma forma que minha barriga não permitia. Yes! Contorcionismo naquele momento era tudo que eu precisava. E então vieram várias picadinhas e uma conversa sobre não tá dando certo (tudo em termos técnicos é óbvio, pq ele já me conhecia de outros carnavais e saberia que eu estaria antenada em tudo e tentaria obter uma aula se julgasse necessário, por isso acho que eles preferiram conversar com olhares.) Tava tentando abstrair até que tudo se resolveu e eu comecei a não sentir nada. E junto com a falta de sensação veio uma ligeira queda de pressão e eu imaginei que fosse desmaiar. Pensei: "-Seja forte! Seu Enzo tá chegando e você vai querer estar acordada!" Meu pai deve ter percebido pq me perguntou se estava tudo bem, ou não... eu eu só disse que estava!
Eu não sei qual foi o tempo que se passou desde que perdi as sensações até quando escutei a Dra Vitória falar "-Vovô, vai fotografar?". Devem ter sido 10 minutos no máximo. E eu parei. Parei pra ver meu pai sair do meu lado. Parei pq eu não podia ver nada então queria escutar tudo. E foi aí que eu o escutei. Ele chorou forte! E chorou muito. E eu não chorei. Imaginei que choraria e teria aquela foto típica de novela, mas eu não chorei. Pq tava sem reação. Eu era mãe! E eu não acreditava. Meu Deus, eu era mesmo mãe! E ele continuava chorando! Meu pai chegou do meu lado e brincou: "-Ele é resmungão" e saiu para mais fotografias.
Dr Kleber e meu pacotinho
Com certeza se passaram poucos minutos também, mas parecia uma eternidade.Só escutava o choro dele, queria ver o meu bebê. Dr Kleber - o pediatra - o trouxe. Um pacotinho. Alguém tão pequenino embrulhadinho em uma toalha manchada de sangue. Um pacotinho chorão! Colocou ele no meu peito e ele chorava. Tomei coragem e falei com ele. Foi mágico! Disse: "-Filho!" e ele parou. Parou quando escutou a minha voz. Ele sabia, mais do que eu naquele momento, pq eu ainda não acreditava, que eu era a mãe dele, EU ERA MÃE! Ele parou e eu pude admirá-lo. Tentando ver o máximo pq sabia que iam tirar ele de mim em poucos minutos para toda a rotina. E eu vi que era loirinho. Um cabelinho sujinho de sangue mais amarelinho. O pediatra estava ao meu lado, o meu pai do outro tirando as fotos, mas parecia que era só a gente ali.
O momento em que meu pequeno resmungão se acalmou
A foto - sem lágrimas

E então o levaram. Meu pai ia e voltava com informações (peso, medida, e falava repetidas vezes que ele era resmungão). E eu contava os minutos para ser fechada logo e sair dali. Queria ir pro meu quarto receber ele. O parto em si foi tranquilo. Muito rápido. E o pós também. Nada dos horrores que falam do PC (vc não sente dor na hora mas depois... Depois nada!). Quando cheguei no quarto me bombardeavam com as peripécias do meu pequeno no berçário e com os parabéns.
E novamente se passou uma eternidade até que trouxessem ele pra mim novamente. E só trouxeram pq o pai dele foi lá reclamar. E como pai foi atendido. Trouxeram o meu Enzo. E apesar de desejar ficar a sós com ele tive que dividir meu bebêzinho com todos que estavam ali no quarto - e era muita gente!
É... acho que esse é o meu relato de parto! Desse dia em diante, contrariando o cordão que foi cortado, EU & ENZO estamos mais unidos do que nunca.
Dando língua


Algumas rápidas explicações:
*Eu não acreditava ser mãe por já ter sofrido um aborto espontâneo. Pq depois disso, as expectativas de que eu engravidasse não eram tão animadoras (e eu engravidei! No susto e sem tratamentos!). E pq a minha gestação era de risco. Então até Enzo nascer, eu realmente não acreditava que poderia ser mãe (ele é meu pequeno milagre).
*Fiquei bastante decepcionada por não ter chorado na hora em que ele chegou. Isso é comum né? Todas as mães fazem isso. É como uma rotina não? Com o tempo descobri que não chorei pq estava feliz demais. E que eu não sou como todas as outras mães. E depois da chegada do Enzo, minha vida jamais teria uma rotina!
*Enzo nasceu com o nariz amassadinho (e isso me tirou as primeiras noites de sono pensando se ficaria daquele jeito para sempre). Explicação: Enzo se desenvolveu junto com um mioma - o que explica a barriga master. Era mesmo hora de tirá-lo. Além no nariz a cabeça tb estava deformadinha. Ele já estava encaixado para nascer e foi fácil puxá-lo (informações da Dra Vitória). Mais um tempo ali e ele poderia entrar em sofrimento.
Arrasada mas: MÃE!

6 comentários:

Cαrol disse...

- Nossα, eu sei o quαnto você quis e desejou esse milαgre primα! Sei o quαnto você é grαtα α Deus e o quαnto você é feliz e o αmα com todαs αs gαrrαs! Você pαssou por tudo isso, e não foi α toα, nαdα é por αcαso né! Cαdα sofrimento, αngustiα, dor, nervosismo, choro, insegurαnçα... fαziαm pαrte do plαno de Deus de dαr αo Enzo umα mãe completα, umα mãe que pudesse ser tudo que ele precisαsse e que não lhe fαltαsse nαdα, físicα e sentimentαlmente. Você é tudo que ele tem, e ele é o seu tudo! Eu tenho um orgulho gigαnte de dizer que sou suα primα e que você morα no meu corαção, que você é umα guerreirα e vitoriosα, e que nαdα nesse mundo, nuncα, poderá substituir você nα minhα vidα, nem nα do Enzo. Enzo é presente de Deus prα mim tαmbém, que mesmo longe me fαz feliz nαs fotoos e nos vídeos, com os sorrisos puros e com αs novαs descobertαs dα vidα. Eu αmo vocês demαis, mesmo sendo vαscαínos! Afinαl, ngm é perfeito! hαhα' AMOMUITO

Dany, Danielle disse...

Primeiramente adorei sua visita no meui blog e ainda mais o seu comentário. Volte sempre que quiser. Segunda coisa, eu, além de não ter chorado qdo Alberto nasceu, ainda expulsei ele qdo a médica veio me mostrar, mas pq senti muuuuito enjôo e mal estar durante a cesárea. Momento complicado aquele. Nem por isso sou menos mãe ou amo ele menos do q quem chorou.
Parabéns pelo post... Bjos

Laudiane disse...

Uau..me emocionei
Relatos de parto me emocionam muito, porque é úncio independente do jeito que foi, cesárea, normalm, seja como for ter seu bebê no colo depois de 9 meses de espera é muito bom, e só sendo mãe pra saber como é...
Adoro seus posts flor e adoro ver as coisas que vc escreve sobre seu filhote, remete um carinho sem fim...adoro...
Tenha uma excelente semana
Lindos dias e muiotas felicidades pra vd e sua família viu???
Mil beijos

Fabiana disse...

Oi Va. Só agora li esse post. Que emoção. Que momento mágico.
Assim como vc, eu tb não chorei. Estava “anestesiada” e tb pensei: putz, sou mãe. Putz, que responsa. Que coisa de “gente grande”.
E cada dia que passa o amor aumenta e o coração transborda felicidade =)

Bjão grande.

Mônica disse...

Lindo, lindo o seu relato!
Também acho que meu bebezinho - hoje com 3 meses - é um milagre, um guerreiro que cresceu em meio a um "monte" de miomas...
Que vocês sejam felizes sempre!
beijos

Bia, Mãe da Clara disse...

Impossível não se emocionar... estava lendo seu post sobre o Patati-Patatá e vi o link pra este aqui (adoro relatos de parto!).
Só sei de uma coisa: quando vemos nosso pacotinho pela 1ª vez é uma felicidade imensa de enorme de grande!! rs
Não há regras pra sentimentos!! Cada uma sente e reage de um jeito, não é porque vc não chorou que vc ama menos seu filho, só você sabe a felicidade que sentiu. E ponto.
E agora, um ano depois... felicidades pra família toda!!!
Beijos

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